com Michel Sleiman

Michel Sleiman é poeta, editor, tradutor, professor e o responsável pela belíssima tradução de Poema dos árabes, na edição da Tabla. No primeiro de uma série de três vídeos dedicados a explorar os assuntos que o livro oferece, Michel declama os primeiros versos do poema, em português e em árabe. Bilíngue, como a nossa edição!

“Levantem, meus irmãos, o peito das montarias,
eu agora a outro bando o meu passo me inclina.

Tudo está pronto, e urge, a noite enluarou,
firmes cascos e arreios, para longe eu vou.

Há na terra, ao honrado, um refúgio contra o mal
e a quem teme o ódio ela também guarda um lugar.

Não há limites na terra, eu lhes asseguro,
ao ciente que empreende a viagem noturna.

Tenho, além de vocês, outros que são meus:
o bruto chacal, o malhado reluzente, a hiena hirsuta.

São dos meus. Não revelam segredo confiado,
nem relegam um homem por um ato culpável.

Todos têm honra e, nisso, são bravos, e eu sou mais:
sou quem primeiro enfrenta o animal feroz.

E quando as mãos avançam à comida eu não sou
o mais rápido; é o mais ávido quem se adiantou.

Isso só é um pouco do meu vasto favor
com eles, o melhor é ser o mais generoso.”

POEMA DOS ÁRABES, Chânfara.

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